segunda-feira, 22 de março de 2010

Cume da Aguja de la "S" pela Rota Austríaca (5+, 55º, 450m), El Chaltén.

  
Cume da Aguja de la "S".

Fala pessoal,

Finalmente uma boa notícia! Dia 19 de março, às 14h50, eu, o Tacio e o Jason Schilling atingimos o cume da Aguja de la "S", pela Rota Austríaca (5+, 55º, 450m) após 7h20min de escalada.

No dia 18 de março, após visualizarmos uma curta, porém possível janela de tempo bom, iniciamos nossa aproximaçao até o bivaque na encosta da Laguna Sucia, onde após 6h30 de caminhada chegamos e pudemos descansar, chegando na caverna por volta das 17h30.

Eu e o Taciao na aproximacao.


Eu, chegando no bivaque. Glaciar Río Blanco ao fundo.

Como eu e o Jason já havíamos subido o glaciar Río Blanco anteriormente e assim já conhecíamos o Pedreiro, decidimos por ficar pela bivaque, cozinhar e nos prepararmos para a escalada. Estávamos um pouco desconfiados que a Aguja de la "S" pudesse estar congelada, fato que havia se concretizado alguns dias antes quando nós fizemos nossa primeira tentativa de escalar a agulha.

Mérito para o Jason que durante a trilha insistiu para que continuássemos, sendo que eu e o Tacio estávamos um pouco desesperançosos, uma vez que nevava e chovia razoavelmente durante nossa aproximaçao, parando somente quando iniciamos a trilha que segue pelo Río Blanco.

No outro dia, acordamos bem cedo, por volta das 04h00, tomamos um café, terminamos de arrumar o que faltava e quando eram 05h20-05h30 estávamos deixando o bivaque, ainda de noite, para subir o pedreiro.

Atingimos o Glaciar e quando eram por volta das 07h20 estávamos na base da grande rampa de neve que sobe à direita da Aguja de la "S", ainda com o sol ensaiando nascer.

 Escalando o primeiro trecho da via. Uma rampa de 55° com 150 metros. Tenso.


Eu, guiando a segunda enfiada de rocha. A mais difícil da via.

Eu, subindo a 3a enfiada de rocha. Quase no col.

A minha experiência em escalada em neve e gelo é miúda e como praticamente nao havia como proteger a subida da rampa pela qualidade da neve, fomos obrigados a "solar" os 150 metros iniciais da via que é uma rampa de neve com 55º de inclinaçao. Para mim foi uma experiência meio estressante, mas vencida após 1h e pouco de subida. Estava somente com uma piqueta de travessia e crampons.

Chegamos no início da parte rochosa e quando eram 09h00 o Jason iniciou a guiada da primeira enfiada, graduada em 4+, sendo que logo após eu e o Tacio iniciávamos a subida. Logo após eu assumi a guiada, graduada no croqui em 5+, sendo que logo após um tempo terminei a guiada, subindo o Jason e o Tacio. Esta segunda enfiada, me pareceu ser mais forte que 5+.

O Tacio, que ainda estava se ambietando com o clima alpino abriu mao de guiar a terceira enfiada para o Jason, sendo que após algum tempo, ele atingia o col, subindo eu o Tacio de segundo. A terceira enfiada é um 4+.

Ainda na 3a enfiada.

Macico do Torre visto do col entre as 3a e 4a enfiadas.


Eu, na centro-esquerda, guiando a quarta e quinta enfiadas, na aresta final.

A vista do col é muito bonita e o dia ajudava. A visao que tínhamos do Cerro Torre, do Egger, Standhardt e Herron era maravilhosa. Dalí até o cume seriam mais 4 enfiadas. Assumi a guiada da 4ª e 5ª enfiadas, graduadas em 4+ ambas, sendo que estiquei em uma só enfiada de uns 65-70m, o que obrigou o Tacio e o Jason a entrarem temporariamente à francesa até que eu atingi a parada e dei segurança para os dois.

Dali até o cume faltavam somente mais duas enfiadas e o tempo ainda era muito bom. O Jason mandou as duas últimas enfiadas e quando eram 14h50 atingíamos o cume. Após algumas fotos, vídeos, refeiçao e outras coisas mais, iniciamos a descida.

Tacio e Jason subindo a quarta e quinta enfiadas.

Eu, subindo a penúltima enfiada. Cume.

O primeiro rapel foi o único que enroscou, sendo que quando desci escalei um trecho bem fácil e desenrosquei a corda e logo o Tacio estava conosco. Dali foram mais dois rapéis até o col e depois mais sete rapéis até o glaciar, os quatro últimos da rampa de gelo, feitos pela direita da mesma.

Chegamos de volta ao glaciar quando eram 19h40 e quando eram 21h00 estávamos atingindo o pedreiro enquanto as últimas gotas de luz caíam do céu. Chegamos no bivaque quando eram quase 22h00 e após um bom macarrao e tang quente, dormimos.

Tacio, no cume! Cerro Torre ao fundo.

Cerro Torre ao fundo, durante o rapel.

Sobre a escalada, é interessante que se esteja guiando ao menos 6º grau móvel com conforto, pois as enfiadas de 5+ podem parecer de 6º devido a falta de costume com a escalada em fissuras e fendas. Elegemos a enfiada mais difícil a segunda.

Para mandar tranquilo a rota inteira é interessante que os participantes e guias tenham um conhecimento de travessia em glaciar, já que é necessário atravessar o glaciar Río Blanco. Estar escalando em gelo/neve pelo menos uns 60º, e estar escalando, como dito, 6º grau de rocha em móvel além de estar com a resistência em dia para suportar a aproximaçao e a escalada de 450 metros.
 Parada patagonica.

No outro dia, levantamos sem pressa por volta das 10h30 e iniciamos a descida por volta das 12h40 atingindo Chaltén por volta das 17h20, onde após um banho, algumas Quilmes dormimos felizes pela excelente escalada.


Na lente, as agulhas!

Hoje é dia 22 de março e o Jason já retornou para os Estados Unidos. Eu o Tacio ainda pensamos em fazer algo se o tempo ajudar. Ficaremos aqui até o dia 27/28. Pensamos em voltar para a Guillaumet, onde fiz anteriormente com o Jason as 8 primeiras enfiadas da Fonrouge-Comesaña, chegando até o "col" da rota Amy. Mas isso depende do tempo. Vamos ver!

Posteriormente coloco as fotos, que estao com o Tacio.

Forte abraço!

2 comentários:

nonaka disse...

ow, muito bom! parabéns!
mas...e as piquetas técnicas???
[]s e boas escaladas!

Victor A Carvalho disse...

putz. com um par de piquetas tecnicas teria sido muito melhor. mas deu pra desenrolar! rss

daqui a pouco estou de volta ao brasil e rumo ao baú!

abs!!